Eu, deitado tentando dormir.
Sim, tentando.
Por algum motivo equívoco o sono é presente mas não o consigo.
Penso em muitas coisas, prazos, planos, soluções, vida e vencimentos.
“Soma” dos Strokes toca.
Mensagem chegando ao meu celular.
E o que seria a tal hora?
Engano... Rifas... Horóscopos... Bingos... Leilões ou palavras não desejadas?

Remetente:
Quatro letras.
Surpresa! Espanto!
Alegria! Curiosidade!
Conteúdo (direto e em quatro palavras):
Lembrança, Sorrisos;
Saudade e Boa noite.
Passa da meia-noite.
Não sei como agir.
Penso.
Com suas palavras, ou só sua lembrança:
Ganho o dia que termina ou o dia que está começando?
Talvez os dois.
Hesito.
Meia hora se passa.
Respondo.
Como sempre, tenho a impressão que falo mais que deveria.
Em seguida sonho (ainda acordado) e planejo (dentro do sonho).
Nessas horas tudo poderia ser como numa comédia romântica.
E ao amanhecer, não mais seria uma mensagem.
Mesmo levantando cedo todo dia,
Nesse, eu acordaria ao som insistente da campainha.
Remetente:
- Bom dia!
Eu:
-? ! ? ... Bom dia.
Conversas café com leite acompanhadas de cortejos a mesa matinal.
Assuntos:
Todos aqueles que fariam esquecer que o tempo passa.
E passou.
E que a última vez que dormimos juntos não faz nem dois dias quem dirá duas translações.
E logo pela manhã: seu sorriso.
Ah! Seu sorriso!
Fica muito mais belo com esse ar,
De quem não faz nem meia hora abandonou ao marasmo seus sortudos lençóis.
Já seus olhos:
Ainda mais apertados quando pressionados pelas alegrias.
Pelo sono que ainda não se foi somado a seus traços infantis.
E esses olhos me esmagam todo,
Cada vez que se apertam sinto a vida aflorar.
E pela manhã: Tu estás no ápice da perfeição.
Pele ainda mais transparente,
fina, comovente quase a me atordoar.
Seus cabelos se movimentam tão levemente.
Que por um momento penso você levitar.
Palavras demais.
Admiração demais.
E tudo isso se perde em meus devaneios.
Que bobo, percebo estou a sonhar.
Voei muito alto.
Escrevi seu retrato.
Falei muito alto, o que deveria a ninguém contar!
Nem metade disso é verdade.
Mentira, é sim!
Metade sim. Metade não.
Mas qual metade é verdade?
A metade que julgares melhor.
Pois ao final só os contos de fadas são de verdade.
Pois se não fossem assim...
Bom, seria melhor não acreditar em nada.






