segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cinza(s)



É essa chuva que cai e inunda tudo de cinza.
Cinza das cinzas.
De sentimentos queimados que teimam em ser pássaro e voar.
Sentimentos que eu pensei enterrados, ardidos e acabados.
Mas como cinzas, eles teimam ressoar.
Nessa mistura de cinza molhada que embora encharcada tende sempre a voltar.
Assim, do nada e sempre.

Não provoca dor:
Sorrisos, suspiros, euforia, agonia e vontade de te contar.
Alegrias, monotonias, simpatias, tudo que faço pra tentar (em vão) lhe ignorar.
Mas é puro, oportuno, belo, esperto e como tu:
és bem terno, é como criança teimosa e risonha que me tenta sempre lembrar.

Eu perambulo por onde você passava.
Tento imaginar, em qual direção você olhava.
E me ponho a ir pra lá.
Mesmo assim não te olharia.
Eu apenas passaria e esperaria você me notar.

Isso tudo por causa desse cinza.
Desse dia que ainda passa mas eu tento enfeitar.
Essa água meio fria.
E uma quase rebeldia:
de fumar sem tragar;
de brindar sem embriagar;
de sussurar sem nada falar.

E essa chuva que cai e inunda tudo de cinza.
Cinza das cinzas.
Que faz tudo molhar sem se quer eu chorar.

8 comentários:

Angelo A. P. Nascimento disse...

Muito bonito o texto. Enxerguei nele um momento de minha vida.
Parabéns

Silas disse...

muito legal seu poema.

bom, quanto ao drummond, ele gerou muita polêmica quando escreveu um poema que não explicava nem tinha explicação, que não fede nem cheira, pelo bom nível de seus poemas.

E como a tese da referência do poema a um livro é nova, foi por isso que resolvi comentar como um poema próprio.

Vou seguir seu blog, parabéns pelo bom nível de seus poemas.

Fernanda disse...

Nossa!
Você escreve muito bem. Esse texto, é tão profundo e ao mesmo tempo tão simples. Gosto disso.

belo texto, boa músicas, ótimo blog.
Ótima semana pra ti.

Nobre Epígono disse...

Cinza... Da cor do tempo nublado. Cinzas... tão triste.

Eu, apenas como leitor, claro, gosto das suas poesias com felicidade. Para falar a verdade, eu fiquei meio "down" com esse poema. Sei lá...

Mas você, como sempre, escreve muito bem, Magalhães!

Um abraço forte.

Nobre Epígono disse...

*ah, tem selo no meu blog para você.

=]

Ana Fontes disse...

Oi, Edu!
Obrigada pela visita!
Então... Sobre o poço... Realmente eu espero que todos tenham a sua mola! Rs!
Mas é dureza, né?! Ficar quicando nesse vai e volta! Rs!
Beijos e voltarei sempre!

Cristiano Félix disse...

que gostoso ver a evolução da tua escrita. adorei e virei seguidor. forte abraço, princeso.

Thiago Assis disse...

sem duvidas, há um tempo pra tudo, sábio aquele que percebe isso e acerta o momento exato de cada coisa em seu lugar..

obrigado pela visita e volte ao blog sempre que quiser o/

mas nao posso sair sem comentar algo sobre tua postagem tambem...
o cinza, fosco, é uma cor que pode parecer triste, mas eu a acho uma das cores mais sinceras que há.


www.thiagogaru.blogspot.com