
De minha autoria, minha preferida.
Eu quase lhe matei,
Mas lhe matei em poesia.
Antes de terminar,
Com você eu terminaria.
Cheguei a pensar
a quase planejar,
pois sem você eu não suportaria.
Seria ou com você
tanto em morte como em vida.
As flores e rosas que comprei
duas vezes serviriam.
A primeira para lhe dar,
e em seguida para enfeitar as nossas jazidas.
Eu não consegui concluir um plano.
Eu não consegui concluí-los nem em sonhos,
sonhar como se roubastes meu sono?
Onde eu estaria se não com você?
Para onde eu iria que não fosse para te ver?
Com quem eu sonharia antes e sempre você.
Enfim descobri
que nada eu mato.
Enfim descobri que só mato em pecados.
Sim, pensar também é pecado.
O que dirá escrever?
Eu quase lhe matei
Mas lhe matei em poesia.
Até comprei flores,
que duas vezes serviriam.
Só não comprei arma, veneno ou corda
e nem armadilha.
Faltou-me coragem,
amor de sua parte,
e das duas, da minha e da sua
faltou covardia.
Eu quase lhe matei,
mas lhe matei em poesia.
Comprei veneno,
pus em meus lábios,
enquanto aos beijos,
Inescrupulosos beijos,
tanto eu quanto você de prazer ardia.
Eu lhe matei,
Eu me matei.
Tudo, em poesia.
(Eduardo Magalhães, Março de 2007)
P.S.: O mais engraçado é que escrevi esta minha poesia, sentado num puff da Livraria Siciliano do Natal Shooping, logo após ler 'Vales'de Pablo Neruda, postada a seguir, pela primeira vez umas 10 vezes seguidas. Embora, aparentemente, não tratem do mesmo tema. Foi ao ler "Vales" que me veio a inspiração de escrever, esta minha poesia, que intitulo de "Feito em Poesia".
Minha preferida.
Pablo Neruda - Vales
Eu toco o ódio como peito diurno
Eu sem cessar, de roupa em roupa
Tenho dormido distante.
Não sou, não sirvo, não conheço ninguém
Não tenho armas de mar nem de madeira
Não vivo nesta casa
De noite e água está minha boca cheia
A duradoura lua determina o que não tenho.
O que tenho está no meio das ondas
Um raio de água, um dia pra mim:
Um fundo férreo.
Não há quebra-mar, não há escudo nem traje
Não há especial solução insondável
Nem pálpebra viciosa.
Vivo logo e outras vezes continuo
Toco logo um rosto e me assassina
Não tenho tempo
Não me chameis: minha ocupação é essa
Não pergunteis meu nome nem meu estado
Deixai-me em meio à minha própria lua,
No meu terreno ferido.
Minhas 3 principais fontes de Inspiração:


MADONNA -----------------------------------------------------------------
----------------------------------------------Pablo Neruda
